"…Mas, sempre chega a hora do adeus. Pra tudo há-se uma despedida, carinhosa ou brusca, mas o adeus vem. Vem com lágrimas nos olhos, de uma saudade que ainda nem teve a chance de nascer, mas ainda sim chora com força. De uma falta, um vazio, de algo que ainda está do seu lado, ou em você. As despedidas vêm, mesmo sem querermos, mesmo sem chance de evitar. A necessidade gera a causa, e tudo muda. Muda demais. Muda mais do que se pode acompanhar só com os olhos… E coma minha vida não seria diferente. Cansei. Parei de me importar com o que não me constrói o riso, com o que não me torna menos triste. Deixei a minha vida cair, junto com as lâminas que correram por meus pulsos. Abracei minha culpa com a covardia de um suicídio, uma saída de emergência para meus assombros. Morri, por não pode mais viver. Morri, por chegar ao final do túnel tantas vezes, e não encontrar nada além de escuridão devorando escuridão, eclipsando qualquer esperança que eu tinha em mim. Me lancei do penhasco, deixei tudo para trás. Antes de minhas vistas se ofuscarem, eu pude ver a vida alvorecendo dentro de mim. Não por estar à margem da morte, mas por enfim me libertar do que devia ser minha vida."
"Eu só quero que você entenda que eu te mando embora querendo que você fique. Penso em não te querer mais sonhando em como te ter mais um pouco. Fico com raiva de você e isso passa. Quero mais carinho e isso me cansa. Quero que você entenda: eu gosto de demonstrações de amor, paixão, seja lá o que for."
"O meu melhor talvez nem seja tão bom assim. E as coisas que eu conquisto nem sempre eu consigo valorizar. O que eu tenho de mais bonito é invisível aos olhos, e as coisas que eu gosto nao são as mesmas que eu quero. Meus maiores amores foram os mais curtos, e minhas piores decepções as que eu menos lembro."
"Ventania forte, delatada por galhos secos agressivos batendo na grande janela de vidro. A madrugada vai se agonizando em sombras com o passar das horas. O céu parece estar tão perto, ao fácil alcance de meus olhos cansados. No chão de meu quarto pode se encontrar o meu corpo deitado, jogado pelo longo tapete preto de barbante, ao lado de minha destra há uma garrafa de vinho, que fora um inútil álibi pra uma tentativa de distração, que por um pequeno e ingênuo momento, achei que embriagando-me com generosas doses de álcool, poderia me fizer desligar a mente das preocupações e tormentos que enfestam minhas cabeça e alimentam minha —já rotineira— insônia; Claridades podem se ver, em reflexos ligeiros de relâmpagos distantes, tão distantes que nem se pode ouvir seus trovões ecoarem pelas campinas das cercanias daqui, e mesmo que chegasse aos meus tímpanos o barulho mais estrondoso do mundo, ainda sim não me perturbaria tanto quanto o silêncio que existe dentro de mim. Silêncio. Vazio. Uma bolha sem ar; Hipnose, êxtase, alma rasgada. Sinto meu corpo quente, mas minha pele está gélida como o mármore de um sepulcro. Meus olhos estão abertos, mas meu sentido de visão não reage a nada. Estou deitado, olhando para o teto iluminado pelos raios que já não são tão fortes… Eu, aqui, mas é como se não estivesse. Nasci, cresci, mas é como se já estivesse morto —talvez estivesse—, morrendo cada vez mais, a cada suspiro, pois a pressa de viver é o alívio dos fracos, e a paciência pelo fim é a virtude dos sábios. Na verdade, eu não tenho pressa de morrer, desde que depois disso eu tenha paz e possa dormir —pra sempre— sem medo de acordar para viver pesadelos reais, que brutalizam toda e qualquer vontade que tenho de me levantar desse chão para ser mais um fantoche alienado, vagando pela face mundo buscando respostas para filosofias baratas e tolas.
O chão é frio e me conforta, a vontade de permanecer aqui é absoluta, e não há nada nessa vida mais forte pra mim do que a vontade de morrer, ou qualquer coisa que me tire da vida, que seja bem longe disso tudo que faço parte todos os dias.
[…]
Fechei os olhos, e morri, de novo, mais uma vez, mais uma noite, mais uma vida."
"Não gosto de muita coisa, são poucas que me agradam, são poucas pessoas que me atraem e poucos sorrisos que suporto. Sou uma pessoa difícil de lidar, mas se for com jeitinho eu posso mudar de ideia a seu respeito. Uso da ironia e sarcasmo não pra me esconder, são apenas armas contra pessoas estupidas. Não falo muito com estranhos, mas na companhia de amigos falo até o que não devia. Não sou solitário mas amo ficar só. Prefiro o silêncio, e por muitas vezes deixo ele falar por mim. Não tente me entender, por que nem eu consigo isso."
"Não choro, não corro, não espero mais nada. Se você vier, ótimo. Caso contrário eu sigo minha vida, como sempre segui."